Era uma moça de poucos encantos.
Mas, tinha um "quê" Clarisse de ser.
Um nome simples, sem muitos adornos, sem muitos rodeios. O tipo de nome que requer apenas um sussurro para ser dito. E era esse mesmo sussurro que tanto invadia a mente de Rafael. Era essa simplicidade harmoniosa que tanto o dominava. Nutria um amor platônico por Clarisse.
Ele conhecia todos os trejeitos da moça. De como ela trocava o horário do intervalo das aulas, para admirar as flores do jardim do colégio. Ele a admirava de uma maneira tão poética, que lhe surgia inspiração sem mesmo nunca ter trocado uma palavra com ela. Não por medo, mas por devoção. Via na figura imperceptível da garota que andava sozinha, um ser imaculado. Podia quase ter certeza de que aqueles lábios jamais haviam experimentado outros lábios. Era uma moça direita, e certamente não seria o tipo de garota vulgar que senta no colo do namorado. Certamente seria... Mas, sabia que Clarisse - com a sua mais infinita doçura -, já havia sentado em seu colo um par de vezes, nos mais sórdidos dos pensamentos.
Rafael certa vez imaginou o colégio inteiramente vazio. Imaginou Clarisse cruzando o corredor das salas de aula, como sempre fazia, arrastando a ponta dos dedos por entre os azulejos brancos, como quem se certifica da sensibilidade do tato. E diferente do que costumava fazer, Rafael a esperava calmamente no final do corredor, onde o toque de Clarisse na parede sessava. Dessa vez ela o olharia com aquele par de olhos verdes, esperando algo que nem ela sabia. Esperou calmamente. Esperou que com a mesma delicadeza que ela tocava a parede, ela tocasse o seu corpo. E antes que ela entrasse na sala de aula, como em seu transe diário, sem sequer olhar para os lados, tomou-lhe pela mão. Segurou a sua mão como quem diz "não vá".
Ele estava ali, segurando a mão de Clarisse. Ela se virou calmamente em direção a ele, sem balbuciar uma única palavra. Ele a olhava compenetrado, ao mesmo tempo em que a puxava lentamente em direção a si. E à medida em que aqueles verdes olhos se aproximavam, era como se as ondas do mar estivessem prestes a quebrar na praia. Ela estava tão perto. Com a outra mão, Rafael afastou o pouco de cabelo que cobria um dos olhos da garota, afastou para trás da orelha dela. Queria ver mais nitidamente aquele par de olhos. Era preciso que ele se envergasse um pouco para ter uma boa visão. Apesar da mesma idade, e de estarem no auge do segundo ano do ensino médio, a diferença de altura era notória. Talvez 15 ou 17 centímetros. Ele queria sentir Clarisse.
Tomou então a garota pela mão, entrou na sala de aula, e, carregando-a pela cintura, acomodou a jovem em cima de uma das mesas. A saia e a meia-calça que compunham o uniforme do colégio, permitiriam que Rafael sentisse as pernas de Clarisse. Escorregando as duas mãos pelas pernas da garota, afastou a saia em direção à cintura dela, ao passo em que sentia onde começava a meia-calça. Despiu lentamente aquele tecido que cobria a alva pele de Clarisse, e antes que o tirasse por completo, desafivelou as duas sapatilhas que impediriam que a meia-calça saísse por completo. Tão aficcionado estava em admirar aquele par de pernas desnudas, que não percebera a calcinha azul escura que a garota trajava. Era um contraste perfeito. Ali estava ele, absorto por uma visão maravilhosa. Sentia um nó na garganta, uma palpitação e o sangue bem quente. Clarisse olhava para Rafael com o mesmo olhar de aluna dedicada às aulas. Ele sentia que ela aguardava por toda a série de ensinamentos que ele estava prestes a mostrar.
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